O uso de dispositivos eletrônicos e seus efeitos no desenvolvimento cognitivo, emocional e social de crianças e adolescentes esteve em pauta no Colégio Farroupilha na última terça-feira, 2 de junho. Integrando a programação oficial da Brain Week em Porto Alegre, a palestra “O impacto do uso de telas no desenvolvimento do cérebro da primeira infância à adolescência” reuniu famílias e educadores para uma reflexão sobre os desafios do equilíbrio digital na formação das novas gerações.
O encontro foi conduzido pelo médico neurologista André Palmini, referência internacional na área da neurociência. Doutor em Neurologia e chefe do Serviço de Neurologia do Hospital São Lucas da PUCRS, o especialista apresentou resultados de pesquisas recentes que analisam a influência das telas no cérebro em desenvolvimento.
Durante a palestra, Palmini destacou que a preocupação central não está nos dispositivos em si, mas no tempo que deixam de ser dedicado a experiências fundamentais para o crescimento infantil e juvenil.
“O cenário das telas está roubando tempo e roubando experiências que são fundamentais. A tela não é a causa direta de problemas como depressão ou TDAH, mas ela puxa a pessoa de outras atividades. Quanto mais tempo em tela, maior o risco de se afastar do sono, da atenção e da linguagem e de se aproximar da ansiedade e da impulsividade”, afirmou.
O neurologista também ressaltou a importância da leitura, das interações sociais e do contato com experiências concretas para a construção de habilidades cognitivas e emocionais ao longo da infância e da adolescência.
Ciência, educação e bem-estar
A realização da palestra reforça o compromisso do Colégio Farroupilha com a promoção de debates que conectam educação, saúde e desenvolvimento humano. Na abertura do evento, a diretora-geral do Colégio, Maricia Ferri, destacou a relevância do tema para famílias e escolas, especialmente diante dos desafios impostos pela presença cada vez maior das tecnologias no cotidiano.
“Sabemos que a infância e a adolescência são períodos decisivos para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. Por isso, compreender os efeitos do uso das telas e buscar caminhos para um equilíbrio saudável é um tema que merece nossa atenção e nosso diálogo”, ressaltou.
A atividade integrou a programação da Brain Week, iniciativa que busca aproximar a neurociência da sociedade por meio de palestras, encontros e ações educativas. Até 7 de junho, diferentes espaços da capital gaúcha recebem atividades voltadas à divulgação científica, ao comportamento humano e à saúde mental.
A Brain Week faz parte das ações de inovação do Brain Congress, considerado o maior evento científico sobre saúde mental do Brasil e realizado anualmente em Porto Alegre.